Como o ambiente da escola pode ser desafiador para sua autoestima e como mudar isso

Antes de tudo, eu preciso me apresentar primeiro para você entender como foi esse período escolar para mim! Eu sempre fui a nerd esquisita da turma, andava com as meninas mais quietinhas e que tinham as melhores notas. Preferia ficar sonhando com personagens de Anime do que com pessoas reais. O ambiente da escola sempre foi um pouco difícil para mim, eu me sentia muito pressionada a me encaixar em padrões.


Sempre fui uma das mais altas da classe, nunca tive um corpão cheio de curvas, meu peito sempre foi pequeno e nunca tive muito destaque entre as meninas. Por mais que me escolhessem rápido na hora da educação física por conta do meu tamanho, no restante das aulas eu era aquela aluna mais esquecida. Não pelos professores, que sempre me amaram por conta das minhas notas e pelo meu comprometimento na aula.


Minha relação com os meninos na sala, principalmente os nerds, era muito boa. Lembro que isso até chegou a causar um certo ciúmes em algumas meninas da sala, por justamente ter mais facilidade de conversar com o sexo oposto e gostar dos mesmos assuntos que eles gostavam. Eu conversava de igual para igual, o que por muitas vezes os deixava amedrontados por eu saber tanto quanto eles. Fiquei sabendo anos depois que muitos deles tinham sentimentos por mim, porém morriam de medo da minha reação e nunca chegaram a se declarar para mim.


Convenhamos, essa época escolar é muito bizarra na nossa vida! Além de ‘bullying’, corações partidos e lidar com notas, nessa época todo mundo têm vergonha do seu próprio corpo ou é inseguro com algum detalhe dele. Os corpos dos seus colegas de classe estão mudando a todo tempo, tá tudo estranho e ninguém sabe o que fazer. “Fulana tá com um peitão, você viu?” ou “Olha a bunda da Ciclana, quando que isso aconteceu?”. Chega um momento que você nota que todas as meninas evoluem juntas, o corpo muda, se desenvolve e parecem mulheres feitas (algumas mais, outras menos). Enquanto isso, todos os meninos da sala, estão menores, começando a ficar vozes esquisitas e espinhas na cara.


Sabe uma coisa que sempre me incomodou na escola e talvez seja um dos pontos principais que reforçam essa insegurança com o corpo? O uniforme! Acredito que ele pode ser o grande culpado quando falamos sobre comparar os corpos das amigas. Não são todas as escolas que têm, mas na minha, nós éramos obrigadas a usar a camiseta branca da escola e uma calça bailarina (super colada ao corpo). Acredito que isso não ajuda muito nesse momento de mudanças. Sério, quem inventou isso? Hoje em dia acho um absurdo!


Tirando uma ou outra que usava a calça dos “meninos” (de tactel) para parecer mais “cool”, o uso do uniforme mais justo não era algo que era questionado na época. Penso que isso deixava ainda mais desconfortável nossa forma de enxergar o corpo, pois aquelas curvas novas estavam expostas para todos verem, quase como uma vitrine. Querendo ou não, isso é uma forma de erotização das meninas.


Lembro de olhar para o formato das minhas pernas no uniforme e me sentir horrível. Eu comprava camisetas da escola maiores para poder esconder minha bunda e virilha. Outra velha tática era amarrar alguma blusa na cintura para evitar constrangimentos também. Outra coisa que me aterrorizava era o sutiã, que por muitas vezes aparecia por baixo da camiseta branca do uniforme. Muitas amigas na época ficavam desesperadas para achar um sutiã super discreto, porque não se sentiam confortáveis com seus próprios seios e notavam que eram muito observadas por todos (não só os alunos, mas professores e monitores também).


É normal se sentir confusa e esquisita. Um “fenômeno” muito comum na escola é querer se comparar com outras meninas da sala, porém tenha em mente que isso pode ser bem prejudicial para você. Seu corpo é único e perfeito, assim como o corpo de todas as outras meninas. Tá tudo bem ter peito pequeno, tá tudo bem não ter coxas grossas, tá tudo bem não se encaixar no “padrão”. Porque afinal, NINGUÉM foi feito para se encaixar nesse padrão.


Afinal, por que temos tanta vergonha do nosso corpo? Basicamente porque isso foi uma construção da sociedade sob os nossos corpos. Existe um livro bem famoso que virou uma referência no que se diz respeito à insegurança que, principalmente, as mulheres têm com seus corpos. Infelizmente sou uma pessoa um pouco preguiçosa (risos) e sem concentração e por isso não li esse livro ainda, mas ele é altamente recomendado para quem quiser se aprofundar nesse estudo. O livro O Mito da Beleza, da Naomi Wolf discute sobre como essas pressões nasceram.


Se você parar para pensar, tudo influencia na maneira que enxergamos nossos corpos. Por exemplo, a publicidade, que sempre ditou o que era o bonito e o feio, o que era o sensual e o vulgar, o que era aceitável e o absurdo. Quantas vezes você já se comparou com a modelo da capa de revista? Quanto tempo e dinheiro você já gastou para arrumar algum “problema” no seu corpo? Quando você começa a se questionar sobre isso, muitas pressões podem cair por terra.


A Naomi Wolf fala muito de que essas pressões estéticas foram se estreitando cada vez mais a cada passo além que a mulher dava na sociedade em geral. Por exemplo, se as mulheres finalmente estavam alcançando cargos mais altos em seus empregos, mais cobranças sobre vestimenta e maquiagem eram feitas. Sem falar sobre a pressão em cima do corpo delas, né? Então se você não tiver um emprego bom, ser magra, ser polida, seguir os padrões de beleza, então você não é uma mulher bem sucedida.


Como perder a vergonha do próprio corpo? Separei algumas regrinhas de ouro que podem te ajudar a se aceitar mais e também conviver melhor com os colegas de classe:

  • Relaxa! Seu corpo está mudando e isso é normal. Tá tudo bem, você é um ser com corpo totalmente único nesse planeta. Entenda isso, pois essa informação pode te ajudar a se sentir mais segura e mais livre desse pensamento de reconhecer que seu corpo tem que ser de um jeito específico.

  • Outra coisa que eu entendo que é importantíssimo, e eu pessoalmente faço até hoje, é justamente selecionar quem você segue nas redes sociais. Questione se essas pessoas te fazem bem. Por exemplo, se a influencer X traz sempre boas reflexões, sem perfeccionismos bizarros de posar em todas as fotos e ter um feed completamente perfeito e calculado. É essencial não consumir apenas pessoas super perfeitas com corpos que parecem esculpidos. Na maioria das vezes essas pessoas não têm aqueles corpos, mas podem editar para deixá-los mais próximos do “ideal”. Isso pode causar muita dor e muita comparação desnecessária para quem está seguindo. Eu acredito isso me ajudou muito quando comecei a seguir pessoas que tinham corpos parecidos como o meu, isso me aliviou muito e penso que isso pode ajudar bastante você a se aceitar mais.

  • A competição feminina é algo muito enraizado na escola, parece que todas são inimigas. Lembro que existia muito ciúme envolvido sendo que os motivos não tinham muita explicação. Os motivos eram os mais bobos, era porque Fulana tinha cortado a camiseta da escola para fazer uma cropped e parecer mais sensual, porque a outra ficou com um menino de outra sala. Enfim, não olhe a colega com uma rival, ela provavelmente está passando pela mesma situação, porém ela pode estar enfrentando e projetando de uma forma diferente da sua. O exercício de empatia é muito importante justamente para tentar entender porque que ela pensa dessa forma e para compreender a raiz dessa rivalidade entre vocês. Se coloque no lugar dela e tente entender por que isso está acontecendo.

  • Nesse momento da vida, é muito importante ter pessoas que sejam confiáveis e que sempre te ajudem a lidar com esses conflitos. Lógico que você não pode se prender e usar essas pessoas como um depósito de problemas, porém tenha alguém em quem você confia, que seja presente nos seus momentos mais difíceis. Na minha época de escola, por alguns anos, fui muito solitária. Quem me ajudou a lidar melhor com esses problemas de convivência foram meus amigos da internet (não falei que sou nerd?) e também minha irmã, que por muitas vezes foi minha companheira de recreio.

  • Se por acaso essas dicas não fizerem sentido para você, ou se mais coisas estejam te incomodando, procure sempre ajuda profissional, ok?


Portanto, aceite seu corpo como ele é pois, você realmente é um ser único. Tenha em mente que o seu corpo ele vai te acompanhar para o resto da sua vida, ele estará com você agora e daqui a muitas décadas. Pense que você tá dentro desse corpo e existem coisas que não são possíveis de mudar, o que você consegue transformar é justamente a sua visão sobre ele. Basicamente é uma escolha que você precisa ter, e quanto mais cedo você a faz, mais livre você será! Por isso, você prefere se aceitar e ter uma vida mais leve ou se odiar e sempre querer mudar alguma coisa em você?


Sei que tudo isso que falei faz parte de um processo de autoaceitação. Eu, por exemplo, demorei muitos anos para entender como me aceitar e ainda estou tentando me aceitar mais e mais. Então entenda que isso é um processo que pode levar um tempo. Porém, acredito que entender a ter empatia pelos outros, não rivalizar, ter sororidade, olhar o seu corpo com muito carinho e consumir criadores de conteúdo que sejam modelos positivos, pode mudar sua vida e, com certeza, sua auto-estima no futuro.


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